População de Tuneiras do Oeste pede justiça para caso de jovem assassinado

Na tarde de terça-feira (28) a avenida principal da pacata Tuneiras do Oeste, a 44 km de Cianorte, foi tomada por dezenas de pessoas numa passeata comovente e pacífica, que pediu justiça para um jovem assassinado há um ano.

Nas roupas a foto de Jhonathan, morto em praça pública. No feriado de Nossa Senhora das Graças, as pessoas levavam nas mãos faixas e cartazes remetendo à dor da perda e o clamor por justiça pela morte do rapaz, que tinha 23 anos.

No dia 28 de novembro de 2011, por volta das 20h30, na Avenida União, centro da cidade, Jhonathan foi baleado com seis tiros na cabeça e no peito pelo agrônomo, Fábio Fiori, 35 anos. Ambos tinham passado o final de semana juntos com a mesma turma de amigos. Após tentar fugir Fiori foi preso em Maringá. Mas após três meses, o autor do crime foi liberado pela Justiça para aguardar o julgamento em liberdade.

“Ver o assassino tranquilo, passeando, pescando, como se nada tivesse acontecido e a gente sofrendo não vendo acontecendo nada. A gente vê que a Justiça não faz justiça. Nós perdemos nossa vida. Porque nossa vida acabou”, desabafou o pai, Denilson Garcia Pereira.

Rafael Henrique Firmino homenageou o amigo com uma tatuagem nas costas e diante da demora do julgamento, se diz descrente com a Justiça. “Somente um milagre para acreditar, porque está muito lento e complicado”, destacou. Para ele a situação é absurda. “Ele matou meu amigo friamente e está solto, pescando, festejando e trocando de carro”.

Emocionada a mãe do jovem assassinado diz que não entende como um assassino confesso, preso em flagrante pode estar em liberdade e o julgamento não ser marcado mesmo tendo já se passado um ano do crime. “A dor não vai passar de jeito nenhum. Mas que seja feita alguma coisa mais rápida, porque ele está bem tranquilo e nós estamos sem nosso filho”. Ela lembra que a vida de toda a família foi desestruturada, inclusive no cotidiano do trabalho, pois o rapaz era o “braço direito” do pai.

A mãe de Jhonathan relatou que a dor foi maior ainda quando reconheceu o assassino fora da cadeia. “Um dia fomos a Umuarama para fazer compra e vimos o assassino do meu filho na rua. Perdemos o rumo completamente e viemos embora”.

Relembre o caso

Em depoimento na 9ª Subdivisão da Polícia Civil de Maringá Fábio Fiori afirmou ter atirado contra o Jhonathan por ciúmes da esposa, versão contestada pelos familiares e amigos, em virtude da timidez da vítima. Para a polícia, o crime teria sido premeditado. Há informação de que na tarde do domingo, o acusado comentou com um conhecido que estava decidido a matar uma pessoa. Momentos antes do crime, ele agrediu sua mulher. Amigos da vítima relataram outros casos de agressão cometidos pelo autor na cidade, porém sem registros de boletins de ocorrência.

Depois de cometer o crime, o agrônomo fugiu pela Estrada Boiadeira, sentido a Campo Mourão. Foi preso após quatro horas, em flagrante, portando armas, sendo libertado após três meses. Imediatamente à notícia do assassinato, revoltada a população tentou invadir a casa do acusado, mas a ação foi contida pela polícia.

Para a escrivã da Polícia Civil e parente da vítima, Simone Ziliane, o fato de o assassino confesso estar em liberdade, mesmo diante de todas as evidências, faz aumentar o medo de as pessoas denunciarem e testemunharem crimes.

(Fonte: Tribuna de Cianorte)

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