O proprietário da MGT Promoções Eventos LTDA, de Guarapuava, Marcelo Germano se apresentou ontem a polícia civil de Campo Mourão e negou as acusações de que sua empresa ? de caça talentos do futebol-, seja fachada para aplicar golpes. Acompanhado de dois advogados, o empresário prestou quase duas horas de depoimento e em seguida concedeu uma entrevista coletiva. ?Eu jamais fiz algo de errado. Em mais de 20 anos de trabalho já formei mais de 30 mil modelos. Nunca tive nenhuma denúncia, muito menos passagem pela polícia.? Germano foi indiciado por estelionato e formação de quadrilha. Na semana passada, três funcionários da MGT foram presos em flagrante no momento em que fariam uma reunião, em um hotel de Campo Mourão. Várias pessoas compareceram a 16ª SDP e registraram queixas. A polícia estima que centenas de vítimas foram lesadas em toda a região. Os prejuízos ainda não foram calculados.
Germano explicou que a MGT é uma empresa que realiza seleções de talentos. O empresário negou que estava foragido, alegando que não veio antes à cidade porque estava em um evento em Gramados (RS). Conforme ele, nas cidades por onde passou, eram organizadas reuniões com os pais para os acertos da seletiva em campo. Nos testes de seleção, sempre acompanhados por profissionais de educação física, de 20 a 30% dos candidatos, segundo o empresário eram selecionados para participarem de um encontro em Guarapuava, de 17 a 20 de março. ?Neste encontro se espera observadores para que possam ver os meninos e oportunizar uma chance desse sonho de ser jogador de futebol?, ressalta.
O acusado comenta que atua no mercado há mais de 20 anos na área de manequim e modelos. Segundo o empresário, em agosto do ano passado ele iniciou com o futebol utilizando a mesma metodologia: passando nas cidades e fazendo reunião com os pais sobre os jogadores. ?Estaremos realizando a primeira convenção. Nunca houve isso. Nós podemos denominar que é uma clínica de jogadores. São quatro dias de evento com palestras e observadores de base [de clubes]. Os meninos são todos acompanhados pelos pais.?
Germano reconhece que houve falha em não ter procurado a polícia civil para apresentar os documentos da empresa e os métodos de trabalho. ?O nosso evento nós cobramos porque somos uma empresa. Temos despesas, mas em nenhum momento enganamos alguém. Todos que assinaram o contrato de convenção assinaram de livre e espontânea vontade entendendo que é um evento para apresentar estes meninos?, ressalta, acrescentando que o leite arrecadado seria doado para entidades assistenciais.
Parcerias com clubes
A polícia divulgou nota na última semana, informando que manteve contato com alguns clubes que negaram parceria com a MGT. Germano afirmou ontem à imprensa que não possuiu parcerias com clubes. ?Não são parcerias é uma oportunidade para os clubes. Nós pagamos passagem aérea com hotel e alimentação. São observadores de base, não são observadores da parte principal de jogadores?, explica.
O empresário acredita que mesmo com a confusão a seletiva será mantida a partir do dia 17 em Guarapuava. ?Já foi pago o campo e local do evento para a convenção. Espero que o evento seja realizado. Espero a sensibilidade da justiça e das autoridades que me permitam a realizar a seletiva?, diz, ressaltando que quem não comparecer terá o dinheiro devolvido. O acusado lembra que entrará em contato com as pessoas que fizeram inscrição. Em Campo Mourão foram 19 inscritos, segundo ele. (WP)
Manual do estelionatário
Em relação ao suposto ?manual do estelionatário?, divulgado pela polícia civil, Germano afirma que o documento é um manual de coordenador. ?É o mínimo, já que eu sou uma empresa. É um manual que explica como organizar cadeiras, mesa, credenciamento numa reunião para que ninguém invente nada. Você tem que ter tudo organizado?, frisa, reiterando que para a convenção, ele gastaria em torno R$ 125 mil.
Rifa
As rifas, segundo o empresário na verdade era uma ação entre amigos. Ele enfatiza que cada inscrito deveria vender 30 números por R$ 3 cada. Em Campo Mourão, os bilhetes seriam entregues no dia da reunião. O dinheiro, conforme o acusado seria para pagar a seletiva, os inscritos, afirma, não eram obrigados a vendê-los.
Fonte: Tribuna do Interior



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