O que você faria caso se deparasse com uma onça-parda em seu local de trabalho, a poucos metros de você? Os funcionários que trabalham na estação de captação de água da Sanepar tiveram essa sensação ontem. Por um bom tempo eles tiveram a companhia do felino
“Foi como comemorar um gol do Neymar. Eu nunca tinha visto na minha vida!”, contou Ronaldo Adriano Pivato. Ele e os colegas José Rocha e Márcio Câmara foram surpreendidos com a visita inesperada da onça. O animal passou pela cerca que separa a estação de tratamento, na Estrada dos Amores, da mata ciliar. E ficou descansando preguiçosamente no gramado próximo aos maquinários.
“Eu estava lá dentro e escutei meu colega gritar, chamando o outro rapaz apavorado. Eu saí
correndo achando que tinha acontecido alguma coisa com ele”, relembra Ronaldo. Ele diz que um dos amigos estava parado e falou que tinha uma onça ali perto. “Meu Deus do céu é um bezerro”, gritou ele para os amigos, ainda incrédulos. Eles ainda tiraram fotos e depois espantaram o felino para a direção da mata. “Ela viu a gente e não conseguia sair porque tem uma proteção de tela justamente para os bichos não virem para nosso lado”, explicou Ronaldo. “Mas quando ela virava para nosso lado eu corria. Eu calculo que ela tenha uns 90 quilos”.
Márcio Santos Silva, da coordenação da Sanepar, explicou que todos reagiram com surpresa e que não acreditava que um animal desse porte estaria em uma área tão pequena de Reserva Legal. “Comunicamos aos órgãos competentes e esperamos que possam fazer alguma diligência no local, inclusive se encontrá-la levar ela a uma área mais adequada”, enfatizou. De acordo com o mesmo, a faixa de mata não chega a meio hectare. “Em princípio a orientação é que os funcionários não andem sozinho. É a medida mais sensata”, ponderou.
Felino exige atenção
O biólogo cianortense, que estuda grandes felinos, Vagner Canuto, explicou que pelo fato de a região ser entrecortada por sítios e fazendas de gado, requer uma série de cuidados em um raio de ao menos100 quilômetrosdo ponto que a onça foi encontrada.
Vagner diz que o ideal é a contenção de bois e bezerros em currais, próximo às casas,
evitando que fiquem perto das matas. Galinhas e cabritos também podem ser alvo da onça e o ideal seria contê-los também. Luz, barulho de cães e rojões disparados após as 18h ajudam a espantar o felino. “Preciso verificar o ponto exato para identificar de onde o animal veio. Pode se tratar de um animal que está dispersando ou que não conseguiu encontrar sua rota. Depende da idade, porque pode se tratar também de um animal felino mais velho que perdeu território para outro e está se obrigando a sair de seu ambiente”, explicou Vagner. As intensas chuvas das últimas semanas e a subida dos rios podem ter ocasionado tal migração.
(Fonte: Tribuna de Cianorte)



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