Nove pessoas são presas em operação contra fraude no DPVAT em Umuarama

Nove pessoas foram detidas na manhã desta terça-feira (30) em Umuarama na Operação Calejado da Polícia Civil do Paraná contra um grupo criminoso que fraudava o seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT). O esquema teria desviado mais de R$ 1 milhão em Umuarama e envolve o Instituto Médico Legal (IML), um hospital da cidade, um escritório de assessoria do DPVAT e algumas das vítimas.

Em entrevista coletiva concedida à imprensa, o delegado Gustavo Mendes Marques de Brito, coordenador da Divisão de Combate a Corrupção no Paraná, explicou como funcionava o esquema. Conforme o delegado, a investigação se estendeu por cerca de 5 meses, após denúncias da Seguradora Líder, que é a administradora do Seguro DPVAT no Paraná.

Das nove prisões, três são preventivas e seis provisórias. Os nomes não foram divulgados para não interferir nas investigações, que ainda estão em andamento. O período investigado de fraude é de 2015 até 2019, no entanto, a polícia acredita que o esquema possa ter sido construído anteriormente.

O delegado Brito disse que tem um “conjunto probatório robusto que fundamenta toda a investigação e agora é necessário finalizar os trabalhos”. Os mandados de prisão foram expedidos pela Justiça de Umuarama e os presos ficarão detidos na carceragem da 7ª Subdivisão Policial.

Os suspeitos agiam na adulteração de laudo emitido pelo IML referente a lesões corporais sofridas geradas em decorrência de acidentes automobilísticos. Todos agiam juntos com o objetivo de angariar possíveis assegurados e aplicar o golpe.

Na coletiva o delegado informou que até o momento foram verificados dezenas de casos de fraudes. No entanto, a suspeita é de que sejam centenas de documentos fraudados. Conforme a investigação, algumas vítimas sabiam do esquema. Quando uma pessoa acidentada chegava ao hospital, lá acontecia a falsificação dos prontuários médicos, o que facilitava na hora de fazer o laudo adulterado no IML.

Foram apreendidos aparelhos celulares, notebooks e documentos que serão periciados. Estes materiais podem levar a identificação de outros envolvidos no esquema.

O delegado Gustavo Mendes Marques de Brito, coordenador da Divisão de Combate a Corrupção no Paraná

Do IML, além de membro da direção, foi presa uma funcionária terceirizada, que agendava as perícias. Também foram detidas duas pessoas do escritório que fazia assessoria local e um funcionário do hospital. Conforme o delegado, este funcionário recebia um valor fixo (uma espécie de salário) para fazer a adulteração dos prontuários médicos. A investigação ainda aponta que o seguro era recebido pela vítima do acidente, mesmo com a fraude. A prática era de colocar 30%, em média, a mais no valor, que era devolvido ao escritório, responsável por ratear o montante entre os envolvidos no crime.

Brito ainda explicou que do valor pago no seguro obrigatório, 45% é direcionado ao SUS, 50% para indenizações em caso de acidentes e 5% para os Denatrans. Ele ressalta que “é um problema de cunho social, pois a saúde está deixando de receber grandes valores”.

(Fonte: Obemdito.com.br)

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