Petrobras anuncia reajuste no preço do diesel a cada 15 dias

Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A Petrobras informou na terça-feira (26) que os preços do diesel vendido para as refinarias serão reajustados, no mínimo, a cada 15 dias. Desde então, a estatal vinha reajustando o combustível em intervalos menores, chegando a ser diário, em alguns períodos, mas mudou a politica desde o fim do programa de subsídios lançado pelo governo após a greve dos caminhoneiros, que paralisou o país.

Apenas neste mês, já foram anunciados 5 reajustes no preço do diesel. Em janeiro a Petrobras elevou o preço do combustível nas refinarias em 2,5% o litro do combustível passou de R$ 1,8545 para R$ 1,9009. No mês de fevereiro, o preço foi para R$ 2,1224 aumento de 3,5%, sendo o valor médio do diesel mais alto desde 28 de novembro, quando era comercializado a R$ 2,1228.

Somente nos primeiros três meses deste ano, o preço do diesel vendido pela Petrobras já acumula alta de 18,5%, acompanhando a escalada das cotações internacionais do petróleo. No ano, o preço médio do diesel nas refinarias acumula alta de 18,48%.

Nos postos, o preço médio do litro do diesel no país subiu 0,1% na semana passada, para R$ 3,540, segundo levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP). No ano, entretanto a alta é menor que o verificado nas refinarias, de 2,6%.

O repasse dos reajustes ao consumidor final, nos postos, depende de uma série de variáveis, como a margem de revendedores e distribuidores, impostos e da mistura obrigatória de biocombustível.

Segundo a Petrobras, os preços do diesel nas refinarias correspondem a cerca de 54% do valor cobrado na bomba ao consumidor final.

Uma das lideranças dos transportadores autônomos, disse que a mudança não resolve todos os problemas da categoria, e que a criação de um mecanismo para segurar a alta do diesel é apenas uma das reivindicações dos caminhoneiros.

Para o deputado federal Zeca Dirceu, a medida foi implantada para mascarar os aumentos, ele também se mostrou preocupado com a possibilidade de greve da categoria. “Não acredito que esses reajustes sejam para um preço menor, mas sim para aumentar cada vez mais. E embora alguns representantes neguem a possibilidade de uma nova paralisação, outros insistem para que dia 30 elas sejam feitas, e isso tem nos preocupado”, comentou.

Cartão para caminhoneiros

Junto da medida, a Petrobras também informou que sua subsidiária Petrobras Distribuidora S.A. (BR) está desenvolvendo, para daqui a 90 dias, um cartão de pagamentos que viabilizará a compra por caminhoneiros de litros de diesel a preço fixo nos postos com a bandeira BR (Cartão Caminhoneiro).

“O cartão servirá como uma opção de proteção da volatilidade de preços, garantindo assim a estabilidade durante a realização de viagens”, informou a estatal.

Política de preços

A companhia pontuou que continuará a utilizar mecanismos de proteção financeira, como o hedge com o emprego de derivativos, cujo objetivo é preservar a rentabilidade de suas operações de refino. “Ficam mantidos os princípios que balizam a prática de preços competitivos, como preço de paridade internacional (PPI), margens para remuneração dos riscos inerentes à operação e nível de participação no mercado”, disse a empresa, em comunicado.

Segundo a companhia, a paridade internacional será mantida, evitando práticas que poderiam caracterizar monopólio, já que possui 98% da capacidade de refino do Brasil.

Programa de subsídio

O programa de subsídio ao diesel foi estabelecido em junho, após o governo fechar um acordo com caminhoneiros para encerrar os protestos que paralisaram o país. O preço de comercialização para a Petrobras e outros agentes que participam do programa, incluindo alguns importadores, foi congelado naquele mês a R$ 2,0316 por litro.

Empresas como a Petrobras que aderiram ao plano precisavam praticar preços estipulados pelo governo e eram ressarcidas em até 30 centavos por litro, dependendo do cenário de preços externos.

(Com informações G1)

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