Casal de advogados é preso por fraude milionária a Copel

Foto: Divulgação/PCPR

Um casal de advogados e um perito particular foram presos nesta terça-feira (10) durante a “Operação Causa Ganha” suspeitos de envolvimento num esquema milionário de fraude contra a Copel. Pelo menos R$ 1 milhão foi comprovadamente desviado pelo trio, mas a investigação apura a participação dos suspeitos em outras centenas de ações podendo chegar a mais R$ 9 milhões de prejuízo para a Companhia Paranaense de Energia (Copel).

 O perito e o advogado tiveram a prisão temporária (5 dias) decretada pela Justiça. Já a advogada vai cumprir prisão domiciliar porque ela teve um filho recentemente. Com eles, os policiais apreenderam computadores, HDs, telefones celulares e diversos documentos que passarão por perícia.

A investigação, conduzida pela delegacia de Ipiranga, contou com apoio do Núcleo de Repressão dos Crimes Econômicos (Nurce), da Polícia Civil do Paraná, foi iniciada depois que a Companhia Paranaense de Energia (Copel) suspeitou de ações indenizatórias ajuizadas por produtores de fumo.

“Basicamente, a ação ocorria quando havia alguma queda de energia na região. Os suspeitos procuravam os produtores perguntando se eles teriam interesse em ajuizar uma ação, alegando perda de produto pela falta de energia. Como é uma relação de consumo, a prova cabe à Copel, e é muito difícil a empresa conseguir, tempos depois, garantir se houve prejuízo ou não. Assim, eram ações praticamente ganhas”, explicou o delegado Guilherme Dias, responsável por conduzir os trabalhos. Por isso o nome da Operação “Causa Ganha”. Ainda de acordo com o delegado, outros 143 laudos têm indício de fraude.

As investigações mostraram que o perito envolvido no esquema anexava laudos falsos aos processos e ainda negociava os valores que seriam incluídos com as próprias vítimas. Além de informações falsas nos laudos – como, por exemplo, a quantidade, qualidade do produto e o tamanho do prejuízo –, ficou provado que o perito particular sequer fazia todas as avaliações e nem comparecia a todos os locais de perícia.

Em um dos casos, no dia 28 de dezembro de 2015, a investigação apurou que o suspeito teria lavrado apenas neste dia pelo menos 32 laudos periciais, em área rural de difícil acesso e locais muito distantes, impossíveis de serem percorridos no tempo descrito.

As informações eram incluídas nas ações pelos advogados que, de acordo com o inquérito, não atuavam apenas como defensores dos fumicultores, mas como autores intelectuais do delito, instruindo como ludibriar a justiça.

Ao saberem que estavam na mira da polícia, os envolvidos desistiram de algumas ações e em outras procuraram as partes envolvidas. “Orquestraram uma estratégia para prejudicar a veracidade das alegações dos agricultores chamados para serem ouvidos, marcando com todos eles para que comparecessem antes da oitiva no escritório de advocacia. Tentando prejudicar o andamento das investigações”, disse o delegado.

O trio responderá pelos crimes de falsa perícia, falsidade ideológica e associação criminosa.

Após a operação de hoje, será investigada a possibilidade da participação de outras pessoas neste caso.

(AEN)

(Fonte: Umuaramanews.com.br)

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