Encontro discute o atendimento dos autores de violência contra a mulher

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) e o Poder Judiciário, com o apoio da Prefeitura de Cianorte, promoveram nessa quinta-feira (23), no anfiteatro da Unipar, o I Encontro Estadual de Atendimento aos Autores de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Centenas de profissionais de todo o Estado, que atuam em órgãos de enfrentamento às violências desse tipo, bem como a comunidade, estiveram presentes no evento que, por meio de palestras e trocas de experiências, proporcionou reflexões e novos conhecimentos sobre o assunto.

A iniciativa surgiu dos trabalhos realizados com o grupo de orientação e sensibilização dos autores de violência que, liderado por representantes da Rede de Proteção à Mulher, se formou no início desse ano, em Cianorte. “Entendíamos que as políticas públicas para atendê-las estavam, de certa forma, organizadas, enquanto para os autores não existia nada”, relata a assistente social do MP-PR, Adriéli Volpato Craveiro. “A partir dos estudos e discussões que tivemos, fomos percebendo a necessidade de aprofundarmos a temática, expandido os conhecimentos, também, para todos que atuam diretamente o assunto”, disse.

“Esse encontro, portanto, é a concretização de um trabalho que no início até parecia inatingível, mas que graças a uma equipe comprometida tem gerado bons resultados”, alegou a juíza da Vara Criminal da Comarca, Flávia Braga de Castro Alves. Segundo ela, o problema é grave e precisa ser debatido. “Na nossa Comarca, os casos de violência doméstica são frequentes. Eu passo um dia sem ter um tráfico, um roubo ou um furto, mas sem esse tipo de violência, nunca. É um problema que nos atinge e muito e que precisa ser combatido”, comentou.

Para a promotora de justiça, Elaine Lopo Rodrigues, situações como essas estão enraizadas culturalmente na sociedade a ponto de os autores, muitas vezes, não terem a consciência de que o ato que praticam é criminoso. “Para se ter uma ideia, aqui na nossa Comarca, mais de 55% dos inquéritos policiais são desse tipo”, pontuou. Segundo ela, esse número é fruto do aumento das queixas das vítimas às autoridades competentes. “Antes elas se escondiam, com medo e vergonha, mas hoje, com a conscientização, passam a denunciar”, comentou.

“Com o aumento da procura pelos serviços a Rede de Proteção precisa estar cada vez mais apta e articulada para lidar com as mulheres e com os autores de violência. Nesse sentido, entendo que essa oportunidade se configura como uma ferramenta eficiente para fornecer informações e possibilitar a troca de experiências entre os envolvidos no atendimento”, comentou o prefeito de Cianorte, Bongiorno.

O encontro, ao longo do dia, contou com inúmeras apresentações culturais e compartilhamentos de experiências. Uma das presenças mais aguardadas foi a da antropóloga francesa Véronique Durand, que proferiu um minicurso a respeito de “Masculinidades, Violência e o Atendimento ao Autor de Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres”.

O evento também foi prestigiado pelo comandante da 5ª Companhia Independente da Polícia Militar, Major José da Silva Neto; pela defensora pública, Pietra Carolina Previate; pela chefe do Escritório Regional da Família e Desenvolvimento Social, Lucélia Guimarães Gelfei; pela secretária municipal de Assistência Social, Marlene Aparecida Bataglia; pela advogada do Projeto Maria da Penha, Izaura Aparecida Tomaroli Varella; pelo diretor do campus da Unipar de Cianorte, José Aparecido de Souza e pela assistente social do Instituto Morena Rosa, Suelen Ranucci Galhardo.

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